Ser a favor da Abstinência é ser moralista e hipócrita? - Psicólogo Ivanildo de Andrade - Consultório de Psicologia em São Paulo

Home


Ser a favor da Abstinência é ser moralista e hipócrita?

Ser a favor da Abstinência é ser moralista e hipócrita?

Não existe uso controlado de substâncias psicoativas de abuso: Exemplo comprovadíssimo: Nicotina.

Sou a favor da abstinência mas não me vejo como um “moralista” e “hipócrita”, podem até existir pessoas que se encaixam nestes predicados, mas quando alguém generaliza abre-se a possibilidade de também ser colocado na “vala comum”.

Entendo que a mídia gosta de eleger “um garoto propaganda” para alguns temas. Exemplo disto, aproveitando o momento do esporte mais popular do país, Neymar de astro Mor, bajulado e posto em um altar de divindade está neste momento sendo repaginado e reconfigurado para, quem sabe, voltar a ser o garoto propaganda desta mesma emissora de TV.

No caso do Casagrande, na década de 80 também chamado de Bighouse, temos uma rara oportunidade de trazer o tema da Dependência Química para a grande mídia. Aí começam a surgir entre nós que atuamos nesta área as “cisões” que em nada ajudam a promover uma educação social sobre esta doença implacável e destruidora. Sensacionalismo? Não !!! Implacável pois pode atingir a todos, sem exceção. Destruidora porque acaba com a vida de quem faz o uso problemático e desenvolve a doença da dependência química do álcool e outras drogas. Quem desenvolve a doença tem um diagnóstico difícil de ser compreendido e aceito. Trata-se de uma doença crônica, progressiva e que, se não for tratada, pode ser fatal.

A pessoa que é diagnosticada com a doença tem como orientação IMPRESCINDÍVEL para o seu tratamento e recuperação a interrupção do uso da SPA ou das SPA’s que causaram seu adoecimento ou que disparam o “gatilho” para o consumo da SPA da qual é dependente químico. A ABSTINÊNCIA, nestes casos, não é MORALISMO ou HIPOCRISIA é uma questão de saúde, de vida, de resgate da dignidade. O Casagrande tenta a 6 copas o que conseguiu nesta, ou seja, abstinência de TODAS as substâncias psicoativas de abuso que poderiam “ser o gatilho” para a reinstalação de sua doença, no caso a Dependência Química. Não podemos mais tratar esta questão pelo viés MORAL e sim pelas EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS. Se alguém consegue usar sua droga e beber seu álcool sem perceber problemas ou prejuízos, ok. No entanto precisamos aceitar que para uma outra pessoa este mesmo hábito ou comportamento não é CONTROLÁVEL. Portanto estas duas realidades existem e não devem se excluir.

Texto: Ivanildo de Andrade – Psicólogo, Especialista em Saúde Pública e apresentador do Programa Tocando em Frente.