A Tríade Perversa - Psicólogo Ivanildo de Andrade - Consultório de Psicologia em São Paulo

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A Tríade Perversa

A Tríade Perversa

Com o desenvolvimento da Doença da Dependência Química aparecem naturalmente no processo de adoecimento biopsicossocial do indivíduo, os problemas relacionados aos desvios do caráter. Estes podem já estar presentes no comportamento do sujeito ou vão sendo adquiridos, com o tempo, por meio das relações estabelecidas com o(s) ambiente(s) ao qual(is) este indivíduo estiver interagindo.

Este fenômeno se explica melhor quando realizamos a associação deste processo comportamental à busca obcessiva e progressiva, que ocorre com este sujeito, para a obtenção das experiências de prazer que passam a orientar o funcionamento “comprometido” dos recursos cognitivos e emocionais deste indivíduo. Com o passar do tempo, este mesma pessoa, vai perdendo cada vez mais o senso crítico da realidade objetiva ao seu redor. Rompe com as normas, regras, limites, valores, leis, convenções sociais e vai perdendo sua capacidade de adequação ao convívio social.

Este processo de deterioração do caráter funciona para que o desejo patológico e egoísta de busca de prazer e alívio do dependente químico seja atendido. Após anos e anos com esta disfuncionalidade emocional e a inadequação nas respostas que teriam que ser dadas às imposições pertinentes e naturais da vida este sujeito entra em colapso generalizado e necessita de um processo de tratamento que lhe permita se reestruturar integralmente.

Os prejuízos causados à vida desta pessoa e de seus familiares no decorrer dos anos são incalculáveis. Não se pode mensurar objetivamente o que é intagível. Uma vida não se paga em dinheiro. Uma família desestruturada e/ou destruída não se reconstrói comprando partes dela nas prateleiras do Walmart ou nas Casas Bahia, pelo contrário, exige-se muito esforço e trabalho para que se reduza minimamente os estragos causados por esta doença e é fato que nem sempre isto será possível.

Pois bem, mesmo assim é possível com muito esforço, dedicação, perseverança e com acompanhamento de profissionais e locais capacitados, ressignificar a vida de um dependente químico e de sua família. Se tudo, disse TUDO, caminhar bem, já pensando em todas as dificuldades que existem, este processo de reestruturação do caráter e de estabilização da doença poderá ser alcançado. No entanto ainda assim muitos não conseguem.

Agora, quando existe um diagnóstico diferencial que evidencia a presença de um transtorno de personalidade associado a estas questões torna-se bem mais complicado este processo de tratamento e muitas vezes está aí o problema não diagnosticado em inúmeros casos que parecem não ter mais solução.

 

Ivanildo de Andrade

Psicólogo – CRP:06/96867

Especialista em Saúde Pública e Dependência Química